
A Constelação Familiar é uma prática terapêutica usada para tratar questões físicas e mentais a partir da revelação das dinâmicas ocultas de uma família. Por meio da constelação familiar é possível identificar acontecimentos que, mesmo desconhecidos, podem trazer problemas para a vida de uma pessoa.
Essa prática pode ser entendida como uma terapia breve, ou seja, que não requer repetidas sessões para elucidar uma questão. Isso acontece porque a constelação familiar atua de forma energética e visa solucionar um conflito por vez. Suas dinâmicas consistem em montar o sistema familiar e entrar em contato com o campo morfogenético do sistema familiar do cliente. Esse contato possibilita identificar os motivos que possam ter ocasionado um desequilíbrio nesse sistema.
De acordo com a Associação Brasileira de Constelações Sistêmicas, a terapia de Constelação Familiar não tem o objetivo de substituir outras terapias ou se colocar acima da medicina convencional, mas sim servir de complemento e possibilitar que o indivíduo tenha conhecimento de seu sistema familiar.
O Ministério da Saúde incluiu a Constelação Familiar no rol de procedimentos disponíveis no Sistema Único de Saúde. A terapia foi incluída no escopo das Práticas Integrativas e Complementares (PICs) como forma de ser uma terapia complementar que pode contribuir para a saúde e bem-estar da população.
Como nasceu a Constelação Familiar
A terapia da Constelação Familiar foi criada pelo terapeuta, filósofo, teólogo e pedagogo alemão Bert Hellinger. Durante 16 anos, ele atuou como missionário na África do Sul, numa tribo Zulu, e percebeu que os integrantes da tribo possuíam uma dinâmica própria para a resolução de conflitos. "Ninguém tinha um problema na tribo. Quando algo acontecia, esse problema era de todos, não haviam fatos isolados e sim um porquê coletivo", explica o terapeuta transacional e de Constelação Familiar transacional Diego Centelhas
Após esse período, Hellinger voltou para a Alemanha e decidiu estudar de forma profunda a psicologia, tornando-se assim proficiente em diferentes tipos de terapia, como psicanálise, terapia gestáltica, análise transacional, hipnoterapia e terapia de sistemas familiares. Essas diferentes correntes, associadas a outros conceitos estudados por Hellinger, foram fundamentais para que ele chegasse ao entendimento do método de Constelação Familiar.
Nos anos 1980, então, Hellinger começou a trabalhar com constelações familiares. "Na época não era possível explicar todos os mecanismos, fazendo com que ela fosse tratada como algo místico", explica Centelhas.
Na década de 90, com o mapeamento do Genoma Humano, foi possível descobrir que os genes transmitem memórias ancestrais para gerações futuras. Essas memórias passaram a ser conhecidas em âmbito científico como memórias epigenéticas. Mais para frente o biólogo inglês Rupert Sheldrake fundamenta a teoria dos campos morfogenéticos.
No livro "Constelações Familiares - O Reconhecimento das Ordens do Amor", de Bert Hellinger e Gabriele ten Hovel, é explicado que quando uma pessoa nasce, além da herança genética ocorre uma transmissão de informações por meio dos campos mórficos. Nesses campos existe uma espécie de memória coletiva da espécie a que se pertence. E essa memória é enriquecida em cada indivíduo da espécie e cada indivíduo dessa espécie está ligado a essa memória.
"De certa forma, a teoria de Sheldrake dá embasamento científico para o que Carl Jung chamava de inconsciente coletivo", explica Centelhas. O inconsciente coletivo é uma das principais teorias de Carl Jung, na qual acredita-se que existe um conjunto de pensamentos e sentimentos compartilhados com outras pessoas. Sendo assim, a mente humana teria características inatas impressas como resultado da evolução e essas predisposições são originadas dos nossos ancestrais.
Benefícios da Constelação Familiar
é possível obter transformações significativas na vida, como melhora no relacionamento entre parentes, solução de problemas financeiros, afetivos e, em alguns casos, até mesmo na saúde. É importante ter em mente que assim como a dinâmica tem suas particularidades, os benefícios também podem variar de pessoa para pessoa.
De maneira geral, existem alguns esclarecimentos que podem ser úteis para a vida do cliente. Veja a seguir:
- Identificar emaranhamentos ocultos no sistema familiar
- Ajudar a encontrar o lugar certo de cada indivíduo dentro do sistema familiar
- Romper com comportamentos e condicionamentos que prejudicam a vida dos que estão envolvidos no sistema familiar
- Possibilidade de integrar conflitos passados e obter melhorias nas questões que antes eram aflitivas
Há também algumas informações úteis para considerar antes de fazer uma Constelação Familiar, que são:
Não existem vítimas
Existem situações na vida que nos tiram o chão. Diante de fatos assim, é comum se sentir como vítima. Em uma sessão de constelação familiar, o terapeuta não aceita a posição de vítima.
Ao primeiro momento, isso pode parecer um comportamento rígido diante da fragilidade. Mas na verdade pode ser compreendido como um exercício de enxergar o cliente em sua totalidade, apesar do que ele pensa de si mesmo.
Dentro da premissa da constelação familiar, as pessoas têm responsabilidade pelas situações que vivenciam. Esse tipo de informação pode causar diferentes sentimentos. Mas isso acontece pelo fato de conhecermos apenas uma pequena parte sobre o sistema familiar e sermos muito apegados aos nossos julgamentos.
Não há o que ser perdoado
Assim como não há vítimas, também não há o que precise ser perdoado dentro de uma dinâmica de constelação familiar.
Algumas descobertas podem ser difíceis de lidar
Em uma terapia de constelação familiar o contato com o campo morfogenético pode mostrar situações difíceis de lidar - como assassinatos, mortes, abortos, abusos sexuais e injustiças. Receber esse tipo de informação pode ser difícil, mas faz parte da prática terapêutica, pois o cliente precisa saber o que o campo mostra.
Da mesma forma, adquirir esse entendimento pode ser igualmente libertador para entender e integrar os conflitos que estão presentes no sistema familiar.
As descobertas vistas no campo são ditas de forma direta
O constelador tem um compromisso muito sério com a cura de seus clientes, mas não com o ego ou as crenças limitantes que carregam". Sendo assim, o constelador não irá esconder do cliente uma informação que seja importante para sua cura. Hellinger explica no livro "Ordens do Amor" que o constelador é uma pessoa que traz realidades à luz e são essas realidades que ajudam e curam os clientes.
Existe um período de tempo que deve ser respeitado entre uma constelação e outra
Passar por uma terapia de constelação familiar pode trazer transformações significativas para a vida de uma pessoa. No entanto, ela mexe com a energia do campo morfogenético do sistema familiar e essa movimentação pode ser intensa. Sendo assim, não é indicado que seja repetida em um curto espaço de tempo. O ideal é esperar seis meses para repetir o procedimento.
Todo tipo de questão pode ser constelada
Seja uma unha encravada, uma pessoa com doença terminal ou até mesmo uma empresa, é fato que todo tipo de questão pode ser constelada e ter seu conflito inserido no sistema familiar.
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